Costuma-se dizer que “complexidade” se encontra no limiar entre o caos e a ordem. Uma metáfora ilustrativa seria a água – que no extremo da ordem é gelo e no extremo da ordem é vapor d’água, mas é no estado intermediário que emergem as oportunidades da forma líquida.
Os avanços no estudo da complexidade e dos processos evolutivos têm trazido novos insights para a gestão dos sistemas de produção. Ao fornecer uma perspectiva alternativa, tais conhecimentos fornecem novas maneiras de lidar com os desafios empresariais contemporâneos.
Sabe-se que a natureza opera por meio da recombinação de partes. Por meio de um processo de rearranjo de átomos, emergem diversas substâncias. Da mesma forma, ao longo da história moderna, os sistemas de produção foram beneficiados por esse princípio. Pessoas se organizam e reorganizam em equipes de onde emergem diversas realizações. Conforme os desafios aumentam, o foco se move do talento do indivíduo para a capacidade coletiva do sistema produtivo. Exemplo disso é a evolução da produção artesanal para a industrial.
Porém, a consequente complexificação da produção não é um problema. Ela é uma resposta às pressões seletivas impostas por um contexto socioeconômico que também tem se tornado mais complexo. Mas o mais interessante é que tal ganho de complexidade é capaz de fornecer maior adaptabilidade e robustez para os arranjos produtivos. Assim como acontece com sistemas complexos naturais, processos sucessivos de diferenciação e agregação internas podem ajudar as organizações a sobreviverem em ambientes dinâmicos.
Da linha de montagem fordista aos layouts celulares, há sinais de reconhecimento das vantagens associadas à recombinação de partes. No primeiro, as partes são tarefas ou operações elementares que são organizadas de acordo com a sequência de processamento de um determinado produto. No último, essas mesmas partes são organizadas em função de um grupo – uma “família” – de produtos.
Daí o surgimento de agregados – “células de produção” – que são como “fábricas dentro de uma fábrica”, produzindo uma organização hierárquica típica de “sistemas complexos adaptativos”. Por serem mais complexos (no sentido da teoria da complexidade) do que as linhas de montagem, os layouts celulares se tornam mais flexíveis e adaptativos – como os mercados competitivos exigem.
Escapando do extremo do caos representado pela produção artesanal, a era clássica da industrialização aproveitou a padronização e garantiu um longo período de sucesso estável. No entanto, como esse cenário ordenado não existe mais, as organizações industriais foram forçadas ao limite.
Felizmente, o limite entre a ordem e o caos é um lugar cheio de possibilidades. O conhecimento sobre recombinação de partes e formação de agregados aplicado à estratégia de das organizações é um caminho para desenvolverem novas capacidades e, assim, prosperarem em um mundo complexo.